Conflitos e resistências dos sujeitos periféricos em Campos dos Goytacazes/RJ na entrada século XXI - o caso dos catadores do lixão e dos moradores da favela da Margem da Linha

Este projeto de pesquisa e de extensão tem como finalidade analisar o protagonismo de dois grupos subalternos da periferia da cidade de Campos dos Goytacazes, na Região Norte do estado do Rio de Janeiro – os catadores de recicláveis do antigo lixão, fechado em 2012, já estudado em outras pesquisas, e os moradores da favela da Margem da Linha, que teve parte dos seus moradores “removidos” pelo projeto Morar Feliz, um projeto de habitação popular implementado pela Prefeitura local entre o período de 2009 – 2016.

A remoção da Margem da LInha teve início em 2014, mas não se realizou plenamente, seja por falhas do Programa e falta de planejamento, seja pela mobilização de parte dos moradores que, já insatisfeitos com a remoção, se organizaram para rejeitar a proposta do Poder Público. Ambos os movimentos contaram com o apoio de Universidades e com a Defensoria Pública e conseguiram negociar alguns dos seus interesses diante da ofensiva do governo municipal.

No caso dos moradores da Favela da Linha, o de permanecerem na Comunidade, dando prosseguimento a uma trajetória de mais de 60 anos, ainda que em situação extremamente precária. Com relação aos catadores, foram criadas quatro cooperativas de catadores de recicláveis que participam, ainda de maneira muito tímida e, também, precarizada, na política local de resíduos sólidos.

Apesar das condições de precarização e de não reconhecimento por parte do Poder Público local, ambos continuam se organizando em torno da sua inclusão socioeconômica, no caso dos catadores, e do direito à moradia digna, no caso dos moradores da favela da Margem da Linha. As ações de extensão tem realizado reuniões para discutirem a situação apresentada pelas cooperativas e pela associação de moradores da Margem da Linha, assessoria nas mobilizações e ações coletivas e a produção de dois documentários voltados para publicizar a situação das cooperativas e, um outro, sobre a história da favela Margem da LInha a partir da memória e representação dos seus moradores. Ambos têm funcionado, também, como catalisador de problematizações e discussões sobre suas situações e perspectivas.

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